Brasil de promessas douradas


Encerrada a considerada maior Olimpíada da história mundial, o brilho das medalhas de ouro estampou uniformes de atletas que demonstraram excelente desempenho nas competições: resultado de um trabalho árduo, com investimento a longo prazo nas equipes e, especialmente, foco. Este não é o caso da delegação brasileira, que apresentou fracassos seguidos de problemas físicos, técnicos e abalos emocionais.

A campanha do Brasil em Pequim fez até o menos patriota trocar o bom sono por algumas horas apreciando as madrugadas esportivas dos canais que aplicaram milhões na retransmissão do evento. Afinal, as cinco medalhas douradas que reluziram esperança verde amarela em Atenas (2004), eram o mínimo esperado por torcedores da pátria de chuteiras, velas e redes de vôlei em todo o mundo.

Talvez o grande problema dos brasileiros seja exatamente este: expectativa. Mas o sonho não se consagra quando o caminho para conquistá-lo é cheio de perturbações, falta de apoio e planejamento sério. Os programas de inclusão social via esporte no país estão repletos de ‘talentos olímpicos’ que saltam, correm, nadam e treinam com bola. É através destes projetos que centenas de jovens e crianças continuam nas escolas, recebem algum auxílio financeiro e vislumbram uma carreira de atleta — que raramente ultrapassa as redes de proteção dos campos onde são recebidos, devido ao déficit de patrocinadores e reconhecimento, ou pior, chegam despreparados.

A prova mais concreta de que as mudanças são necessárias no cenário esportivo brasileiro é o nadador de ouro César Cielo Filho. Foram três anos de intensa rotina de treinos, preparação física e psicológica para a conquista do lugar mais alto no pódio. Contudo, o país que o recebeu foram os Estados Unidos. Assim acontece também com grandes nomes do Brasil — treinam no país dos vencedores para disputar um lugar na história olímpica.

Editorial de Larissa Tietjen, especial para o Boteco da Bola.

2 Respostas to “Brasil de promessas douradas”

  1. Brasil de promessas douradas « Releitura Says:

    […] Fiz um post especial para o Boteco da Bola falando do desempenho brasileiro nos jogos de Pequim. Vai lá! […]

  2. Juliana Says:

    Nessas olimpíadas o que mais me decepcionou foi a torcida. Se algo vai mal, torcemos para ir bem. Então, se o Brasil estava indo mal, nosso papel era torcer para tudo melhorar mas, aconteceu que todo mundo só quis saber de esculaxar os atletas brasileiros, o Brasil só sabe fazer festa quando ganhamos uma competição mas, não sabe torcer para impulsionar o time. Acho que até quem não é muito fã de olimpíadas resolveu assitir alguns jogos porque dizem que a propaganda negativa funciona mais que a positiva. Com todo mundo dizendo que o Brasil estava uma catástrofe, aí que atraiu mais expectadores mesmo, para ver os atletas se darem mal!

    Beijinhos!

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